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IMUNIZAÇÕES
E PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Guilherme
Côrtes
Sabidamente há um risco aumentado
de aquisição e de transmissão
de doenças infecciosas em ambiente
hospitalar: tanto o paciente
como os profissionais de saúde
têm maior risco de exposição
a certas doenças infecciosas,
assim como ambos podem ser o
veículo de transmissão e disseminação
de doenças. O profissional de
saúde está exposto a diversas
doenças infecciosas em sua prática
diária: transmissíveis por via
respiratória (tuberculose, varicela,
rubéola, sarampo, influenza,
viroses respiratórias, doença
meningocócica), transmissíveis
pela exposição a sangue e fluidos
orgânicos (HIV, hepatite B,
hepatite C, raiva), de transmissão
fecal-oral (hepatite A, poliomielite,
gastroenterite, cólera) e transmitidas
pelo contato com o paciente
(escabiose, pediculose, colonização
por estafilococos). O risco
de exposição varia segundo o
tipo de atividade exercida,
o uso de medidas preventivas
à exposição e a prevalência
local de doenças. O risco de
aquisição de doenças depende
não somente do tipo de exposição,
da patogenicidade do agente
infeccioso e da existência de
profilaxia pós-exposição, como
da prevalência local de doenças
e da susceptibilidade do profissional
de saúde.
O papel do profissional de
saúde como transmissor de doenças
infecciosas na prática clínica
não pode ser desprezado. O risco
do profissional transmitir doenças
aumenta caso o emprego de técnicas
adequadas, como a lavagem de
mãos, não sejam empregadas corretamente
e caso ele esteja susceptível
a certas doenças transmissíveis.
Por estarem mais expostos a
certas doenças transmissíveis,
os profissionais de saúde devem
estar adequadamente imunizados
além de obviamente utilizar
corretamente as técnicas de
proteção individual para minimizar
o risco de aquisição de certas
doenças infecciosas:
A vacinação é a ferramenta
mais eficaz para a prevenção
de certas doenças infecciosas
de possível transmissão em ambiente
hospitalar (hepatite B, varicela,
sarampo, influenza, caxumba,
rubéola). A vacinação adequada
de profissionais de saúde diminui
o risco de aquisição de doença
por diminuir o número de susceptíveis
a doenças imunopreviníveis.
Para assegurar que haja um
menor risco para o profissional
de saúde de aquisição ou transmissão
de doenças infecciosas, tanto
a educação em relação ao emprego
correto das técnicas de proteção
individual como a vacinação
adequada devem ser realizadas
previamente ao ingresso do profissional
de saúde em sua prática diária,
o que raramente ocorre no Brasil.
A implementação de campanhas
educacionais para profissionais
de saúde sobre prevenção de
doenças de transmissão nosocomial
(vacinação, uso de equipamentos
de proteção individual) seria
fundamental para diminuir o
risco de aquisição e transmissão
de certas doenças infecciosas.
Além das vacinas ordinariamente
recomendadas aos profissionais
de saúde e à população geral
(contra hepatite B, varicela,
sarampo, rubéola, caxumba, influenza,
tétano e difteria, hepatite
A) deve-se avaliar a indicação
de outras vacinas (contra poliomielite,
raiva, doença meningocócica,
febre tifóide, varíola, coqueluche,
febre amarela) segundo a prevalência
local de doenças e os riscos
individuais de exposição e morbidade.
A vacinação adequada visa assegurar
e manter imunidade, diminuindo
o risco desses profissionais
adquirirem ou transmitirem doenças
imunopreviníveis e deve ser,
portanto, parte essencial de
programas de prevenção e controle
de infecção. Outro fato de relevância
para justificar a maior preocupação
quanto à vacinação de profissionais
de saúde é o risco de reintrodução
de patógenos com baixa prevalência
em uma comunidade a partir de
grupos populacionais susceptíveis
com maior risco de exposição
a doenças transmissíveis, como
profissionais de saúde.
Hepatite
B -- Profilaxias pré
e pós-exposição
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