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Febre Maculosa

Paulo Sérgio Gonçalves da Costa
- Médico, mestre em Imunologia - Faculdade de Medicina USP-SP
- Pós-graduando do curso de Doutorado do Depto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG
- Professor de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina de Barbacena
Publicado em Riscobiologico.org em 2002

Causada pela Rickettsia rickettsii, tem sido a mais relatada certamente pela sua maior gravidade (4)(5)(6). O ciclo natural e silvestre da doença geralmente envolve pequenos roedores e carrapatos (7). No ambiente peri-domiciliar, cachorros e outros mamíferos podem ser importantes.


Na sua forma clássica, a doença que é geralmente transmitida aos humanos por carrapatos do gênero Amblyomma, causa quadro infeccioso sistêmico com febre, cefaléia e mialgias com ou sem exantema macular que inicialmente não é purpúrico. Se não tratada, ocorre piora clínica com surgimento de sinais de sepse e exantema purpúrico tipicamente afetando mãos e pés que geralmente leva a suspeita diagnóstica (figuras 1 e 2).


O período de incubação é de 5 a 12 dias após a picada do carrapato, e como há possibilidade de transmissão vertical da bactéria nos carrapatos, as formas juvenis ou ninfas ou micuins, que atacam em massa podem ser potencialmente mais perigosas. Os carrapatos adultos podem transmitir a enfermidade porem acredita-se que sejam necessárias pelo menos 24 horas de adesão a pele para a infecção ocorrer. O processo de retirada dos carrapatos pode ser perigoso, eventualmente mais até que a própria picada.


O carrapato do coelho (Haemaphysalis laporispalustris) pode transmitir a doença mas parece ser importante apenas no ciclo silvestre contudo o carrapato da capivara o Amblyomma cooperi parece ser um importante vetor de doença humana pois é heteroxênico, tem apresentado elevado índice de infecção, aglomera-se em grande numero naqueles roedores, infestando seu habitat, aliado ao fato dos rebanhos de capivaras estarem em expansão possivelmente em decorrência da proibição de sua caça. O carrapato do cachorro, do gênero Dermacentor pode ser eventualmente um transmissor da R. rickettsii mas alguns pacientes acometidos jamais referirão ataque de carrapato.


A prevalência da infecção é variável de acordo com a localidade oscilando entre 0,5 a 30 % e atualmente o maior numero de ocorrências tem sido notificada em Minas Gerais com cerca de 30 casos /ano (8).


O diagnóstico depende da detecção dos anticorpos específicos contra R. rickettsii seja pela ascensão de títulos, seja pela presença de IgM específica (7)(9). O isolamento desta bactéria como de resto, das outras rickettsias, não é utilizado do ponto de vista prático já que as mesmas não crescem em meios de cultivo tradicional, e são considerados perigosas no manuseio, requerendo laboratórios com nível de segurança P3 para inoculação em animal, inoculação em ovo embrionado ou cultura celular. Técnicas de PCR recém desenvolvidas são disponíveis apenas a nível experimental e o estudo imunohistoquímico de material de biópsia igualmente é de acesso restrito (7).


 



FIGURA 1: Edema e exantema purpúrico de mão-febre maculosa





FIGURA 2: Exantema purpúrico na perna de trabalhador rural com febre maculosa


O ponto crucial na terapia de febre maculosa é a necessidade de antibioticoterapia precoce eficaz. Infelizmente, antibióticos de uso clinico freqüente como betalactâmicos não são capazes de matar a R. rickettsii, cuja terapia ideal requer o uso de tetraciclina ou cloranfenicol (7). Novas quinolonas e novos macrolideos parecem ser eficazes in vitro mas não existem estudos definitivos sobre sua eficácia clinica (10) .


Paciente com história prévia de ataque de carrapatos, seguida de febre, cefaléia e mialgias deverá ser tratado com droga anti-rickettsia se outro diagnóstico não for feito e é importante frisar que formas quase sem maculas e amaculares tem sido descritas (11). Retardo no diagnóstico e terapia pode resultar em fatalidades e portanto o médico, mesmo dos centros urbanos deve trabalhar com índice de suspeita adequado.


A profilaxia é feita principalmente evitando-se o ataque de carrapatos através da utilização de inseticidas
piretróides aplicados sobre o calçado e nas meias. Estas deverão envolver as bordas inferiores das calças.

Uma vez em casa , após inspeção, os eventuais carrapatos devem ser prontamente retirados por meio de pinça aplicada sobre o aparato de sucção do mesmo, que em seguida deverá ser apropriadamente desprezado. Não existem vacinas de eficácia necessária para uso humano de rotina (7).



Referências Bibliográficas

Rickettsioses - Referências

 
 


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