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Febre Q

Paulo Sérgio Gonçalves da Costa
- Médico, mestre em Imunologia - Faculdade de Medicina USP-SP
- Pós-graduando do curso de Doutorado do Depto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG
- Professor de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina de Barbacena
Publicado em Riscobiologico.org em 2002

 

As infecções por Coxiella burnetii, o agente etiológico da febre Q, são bem mais freqüentes que a predecessora. Erroneamente a doença é tida como rara ou não existente no Brasil. Estudos soroepidemiológicos recentes em Minas Gerais indicam prevalência de cerca de 14% numa dada comunidade rural, indicando a presença frequente da bactéria no meio rural (12). A C. burnetii tem um ciclo natural algo mais complexo pois entre os animais a transmissão se dá por inalação e ingestão de materiais orgânicos contaminados mas também por carrapatos (13)(14).


Os humanos não são contaminados por carrapatos mas principalmente pelo manuseio, ingestão e inalação de aerossóis de materiais contaminados, principalmente placentas e outros tecidos. Contato intenso ou situações de manuseio de vísceras de aves podem ser causa de contaminação. Cabras e ovelhas também podem apresentar elevado índice de contaminação.


A dose infectante é muito baixa e acredita-se que uma única bactéria seja capaz de produzir infecção humana. Esta propriedade aliada à alta resistência a dessecação, o que torna possível a transmissão pela poeira a centenas de metros de distância, habilita a C. burnetii como arma bacteriológica em potencial (13).


O período de incubação é de cerca de 20 dias e a maioria dos infectados não apresenta sintomas ou tem sintomas leves que lembram a gripe (influenza). Alguns indivíduos desenvolvem hepatite e outros, pneumonia. Formas denominadas de febre Q crônica uma doença multisistêmica com ou sem endocardite associada podem ser graves e eventualmente fatais.


Outras formas menos comuns da doença como meningites e encefalites, miocardites, pericardites, bem como pancreatites, colecistites, osteomielites, infecções de próteses arteriais e infecções de aneurismas também tem sido descritas (15). Alguns indivíduos têm febre de origem indeterminada e mulheres grávidas infectadas podem evoluir com aborto ou darem a luz a recém natos de baixo peso (15). Algumas cepas produzem erupção cutânea mas em geral a febre Q não evolui com exantema (15).


O diagnóstico geralmente é feito por testes sorológicos e a terapia de escolha para formas crônicas é a ciprofloxacina associada a doxiciclina usadas durante 4 anos ou doxiciclina associada a hidroxicloroquina por 1 ano e meio. Nas infecções agudas a tetraciclina por 3 semanas é suficiente (13)(15).


Vacina de uso humano foi desenvolvida na Austrália mas não é comercialmente disponível e a prevenção envolve educação sanitária, pasteurização do leite, controle da doença em animais, manuseio adequado de placenta e tecidos orgânicos (13). 



Referências Bibliográficas

Rickettsioses - Referências

 
 


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