Os resultados parciais encontrados em um estudo multicêntrico do tipo caso-controle, realizado nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido, foram publicados no final de 1995. Os mesmos autores incluíram dados provenientes da Itália e, em 1997, publicaram os resultados finais. Nesse estudo, 33 profissionais de saúde que se contaminaram após uma exposição percutânea documentada ao HIV foram comparados com 679 profissionais que não soroconverteram após a exposição. Análises multivariadas usando regressão logística identificaram potenciais fatores de risco de gravidade da exposição.
O uso do AZT foi associado a um efeito protetor, com uma razão de chances de 81% entre os indivíduos expostos que fizeram uso da medicação e não se contaminaram e aqueles que não fizeram uso do AZT e se contaminaram. Por ser um estudo do tipo caso-controle, foi possível a determinação da razão de chances para os fatores de risco identificados na regressão logística, mas não foi possível estimar o risco real da exposição com base na presença ou na ausência dos fatores. Essas estimativas só poderiam ser analisadas a partir de estudos do tipo coorte.
A partir de todas as novas evidências (estudos de experimentos com animais, profilaxia da transmissão vertical do HIV e estudo caso-controle multicêntrico), o uso de quimioprofilaxia anti-retroviral após a exposição ocupacional ao HIV passou a ser motivo de novas publicações. Em uma reunião realizada em março de 1996, organizada pelos CDC e pela Fundação Nacional de Doenças Infecciosas, especialistas de diferentes países reconheceram haver evidência suficiente para recomendar o uso de quimioprofilaxia anti-retroviral após a exposição ocupacional associada a um risco elevado de transmissão do HIV. A partir de então os guidelines internacionais e nacionais foram publicados e têm sido atualizados periodicamente.