O debate sobre a transmissão nosocomial da tuberculose ressurgiu nos anos 90, motivado pelo aumento da prevalência da doença nos países desenvolvidos, instrumentalizado pelas técnicas de biologia molecular e associado à epidemia de Aids.
Esta discussão não é recente e tem acompanhado o estudo da tuberculose, desde a demonstração do seu caráter transmissível, até os dias atuais. Os sanatórios, que nortearam o modelo assistencial à tuberculose durante muitos anos, foram substituídos pelos hospitais gerais e pelo atendimento em regime ambulatorial, devido ao surgimento e bons resultados da quimioterapia específica (SEPKOWITZ, 1994).
A transmissão hospitalar e o maior risco de infecção tuberculosa e doença ativa no profissional da área de saúde têm sido evidenciados desde o início do século, mas a adoção de programas de avaliação e seguimento desses trabalhadores não tem se efetivado, sobretudo nos países de alta prevalência, nos quais o risco comunitário é elevado. No Brasil, o enfoque dado à tuberculose como doença com risco de transmissão hospitalar foi valorizado e abordado de maneira mais objetiva somente nos últimos anos.
O risco de infecção pelo Mycobacterium tuberculosis entre profissionais da área de saúde já é há muito conhecido. Este risco relaciona-se à prevalência de tuberculose na região da instituição, ao perfil dos casos atendidos, à área de trabalho, ao grupo ocupacional, ao tempo de trabalho na área de saúde e às medidas de controle adotadas pela instituição.
No Brasil é elevado o número de casos de tuberculose notificados o que propicia um contato freqüente dos profissionais da área de saúde com a doença. Em diversos estudos nacionais foi evidenciada uma elevada prevalência de infecção tuberculosa entre os profissionais de saúde superior à da população geral (RESENDE, 1996). Em avaliações prospectivas evidenciou-se também uma alta taxa de viragem tuberculínica entre profissionais da área de saúde (ROTT et al, 2000). Em estudo realizado na UFRJ a viragem tuberculínica anual entre profissionais da área de saúde foi 8,6% (IC de 95%; 4,5 a 12,5), taxa superior àquela estimada na população geral do Brasil (1%) e de países africanos (2 a 4%) (MUZZY DE SOUZA, 1998).
Tem sido demonstrado em alguns estudos nacionais que além do risco de infecção, o risco de adoecimento é superior ao da população geral entre profissionais da área de saúde. BEDRIKOW et al., 1977 encontraram cerca de 4 vezes mais tuberculose doença entre profissionais de hospital universitário terciário.