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Considerações Iniciais
Autor: Luiz Tadeu Moraes Figueiredo - atualizado em 19/12/2008

Os Hantavirus
O gênero Hantavirus da família Bunyaviridae inclui quase 3 dezenas de vírus (1). Os Hantavirus são víirus de roedores que quando infectam seres humanos causam distintas formas de doença: como a febre hemorrágica com síndrome renal que ocorre no Velho Mundo e a Síndrome Pulmonar e Cardiovascular por Hantavirus que ocorre nas Américas (2). Os Hantavirus são envelopados e possuem um RNA tri-segmentado (segmentos L, S e M) e de polaridade negativa. O segmento S codifica a proteína N, assim denominada por envolver os segmentos de RNA virasl formando o nucleocapsídio viral. O segmento M codifica uma glicoproteína precursora que ao ser clivada origina as proteínas G1 e G2 do envelope viral. O segmento L codifica a RNA polimerase dependente de RNA do vírus (3, 4). Foto à microscopia eletrônica e esquema de um Hantavirus são mostrados na Figura abaixo.

Figura 1. Imagem à microscopia eletrônica do Hantavirus Araraquara infectando miócitos e esquema de um Hantavirus.


Os Hantavirus causadores de SPCVH são associados a roedores silvestres americanos da subfamília Sigmodontinae . Desde a identificação do primeiro caso de SPCVH nos Estados Unidos em 1993, muitos novos Hantavirus foram descobertos. Os Hantavirus são transmitidos ao homem principalmente pela inalação de aerossóis das excretas e secreções destes roedores quando infectados (5). Também, a transmissão pessoa a pessoa foi descrita, a partir de 1996, em epidemias pelo Hantavirus Andes ocorridas na Argentina e Chile (6, 7).  


No Brasil, os primeiros casos de SPCVH foram descritos em 1993, no Município de Juquitiba próximo à Cidade de São Paulo. Os casos ocorreram em indivíduos de uma mesma família. Tecidos obtidos da necropsia de um dos casos permitiram detectar por RT-PCR 139 nucleotídios (nt) do segmento M do RNA viral que, após sequenciamento, mostrou ser parte de um novo Hantavirus que foi denominado Juquitiba (JUQ). De 1995 a 1996 diagnosticou-se, por teste sorológico ELISA, 3 casos de SPCVH no Brasil. Um destes casos era proveniente do Município de Castelo dos Sonhos no Estado do Pará e os outros 2 casos eram dos Estados de São Paulo, Municípios de Araraquara e Franca. Estes 3 pacientes também tiveram genoma parcialmente amplificado por RT-PCR e os amplicons foram sequenciados evidenciando 3 novos Hantavirus que foram denominados Castelo dos Sonhos (CAS), Araraquara (ARA) e Franca. Posterior análise mostrou que os vírus Franca e ARA eram praticamente iguais permanecendo, portanto, apenas o ARA (8).



 
 


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