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Considerações sobre o Tratamento
Autor: Luiz Tadeu Moraes Figueiredo - atualizado em 19/12/2008

Considerações sobre o tratamento da SPCVH  
Bons resultados no tratamento da SPCVH dependem da precocidade da internação, antes que o paciente entre em franca insuficiência respiratória e choque. Por outro lado, considerando que ocorreu transmissão interpessoal de Hantavirus, inclusive acometendo pessoal médico, em surtos argentinos e chilenos pelo vírus Andes, é recomendável que os pacientes sejam isolados em quarto privativo e que a equipe médica adote precauções universais e respiratórias utilizando luvas, avental, óculos protetores e máscara até o desaparecimento do quadro respiratório e da febre (14).  


Os pacientes internados devem receber cuidados precoces de terapia intensiva, monitoração cuidadosa da oxigenação, do balanço de fluidos, da pressão arterial e ventilação. Inicialmente, pode-se oxigenar o paciente com cânula nasal ou máscara de Venturi. Entretanto, se o edema intersticial progride com extravasamento de líquidos e inundação pulmonar deve-se intubar o paciente e iniciar ventilação mecânica evitando distensão alveolar excessiva. Também, durante a ventilação, deve-se evitar colapsos e re-expansões alveolares repetidas utilizando-se pressão expiratória final positiva elevada. Quanto ao choque cardiogênico, observa-se que este cursa com grande aumento da resistência vascular periférica e má perfusão dos órgãos. Para seu monitoramento, deve-se implantar no paciente cateter em artéria pulmonar ou cateter venoso que, deverá, além de propiciar o monitoramento do choque (medida da pressão em artéria pulmonar ou da pressão venosa central), ser utilizado na infusão de líquidos e drogas. Entretanto o tratamento do choque na SPCVH deve ser muito cuidadoso quanto à infusão de líquidos, porque esta infusão agrava o edema pulmonar e a insuficiência respiratória. Recomenda-se: infundir não mais que 2 litros de líquidos cristalóides; utilizar plasma fresco congelado para compensar as perdas plasmáticas no interstício pulmonar e não utilizar diuréticos para reduzir o edema pulmonar porque estes exacerbam o choque. Recomenda-se, também, o uso de aminas vasoativas como dobutamina (5 ug/Kg/min) e/ou dopamina, visando a melhorar o débito cardíaco e a reduzir a resistência vascular periférica (10, 15). A prevenção da instalação do quadro de choque utilizando precocemente aminas vasoativas, ainda quando o paciente é atendido na unidade de atendimento primário, tem sido recomendada pela Secretaria da Saúde do Estado do Paraná, como importante para melhora do prognóstico nos casos de SPCVH (16). Alguns clínicos preconizam o uso de corticosteróides em altas doses como benéfico para tratamento do extravasamento capilar em casos de SPCVH com grave insuficiência respiratória. Entretanto trata-se de conduta sem estudo científico comprobatório (17). 


A droga antiviral ribavirina, tem ação in vitro sobre os Hantavirus americanos e tem sido utilizada, com redução da mortalidade em 7 vezes, em casos de febre hemorrágica com síndrome renal, na Ásia. A droga, na dose de 1g 6/6h, por 4 dias, seguida de 1g 8/8h, por 3 dias, pode ser utilizada no tratamento de casos de SPCVH. Entretanto, estudo não mostrou benefício clínico da droga, provavelmente, porque esta leva 4 dias para atuar e na SPCVH a doença grave já se encontra instalada após este tempo (18).  


Outra terapia possível, mas ainda não utilizada na SPCVH, refere-se à imunização passiva dos pacientes com pools de soros de convalescentes contendo altos níveis de anticorpos específicos. Uma indicação para este tratamento seria a observação de que o quadro de choque associa-se a baixos níveis de anticorpos neutralizantes contra o vírus. Também, sabendo que existem altos títulos de TNF no sangue dos pacientes com SPCVH, o desenvolvimento de drogas bloqueadoras do Ff??, um precursor na síntese do TNF, seria uma esperança terapêutica para o futuro (Frederick Koster, Universidade do Novo México, EUA, informação pessoal, 2000).



 
 


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