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RISCOS
BIOLÓGICOS e
PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Cristiane
Rapparini
Historicamente, os profissionais
de saúde não eram considerados
como categoria profissional
de alto risco para acidentes
de trabalho.
A preocupação com riscos biológicos
surgiu a partir da constatação
dos agravos à saúde dos profissionais
que exerciam atividades em laboratórios
onde se dava a manipulação com
microrganismos e material clínico
desde o início dos anos 40.
Para profissionais que atuam
na área clínica, entretanto,
somente a partir da epidemia
da Aids nos anos 80, as normas
para as questões de segurança
no ambiente de trabalho foram
melhor estabelecidas.
A definição dos profissionais
e dos trabalhadores que devem
ser considerados como parte
integrante do setor saúde, e,
portanto, expostos ao risco
de contaminação ocupacional
é bastante complexa. Essa definição,
no entanto, é necessária para
que se calculem algumas taxas
de exposição que envolvam as
categorias profissionais específicas.
Alguns autores conceituam como
trabalhadores de saúde todos
aqueles que se inserem direta
ou indiretamente na prestação
de serviços de saúde, no interior
dos estabelecimentos de saúde
ou em atividades de saúde, podendo
deter ou não formação específica
para o desempenho de funções
referentes ao setor. O vínculo
de trabalho no setor de atividade
de saúde, independentemente
da formação profissional ou
da capacitação do indivíduo,
é o mais importante na definição
de trabalhador de saúde. Analogamente,
definem como profissionais de
saúde todos aqueles que detêm
formação profissional específica
ou capacitação prática ou acadêmica
para o desempenho de atividades
ligadas diretamente ao cuidado
ou às ações de saúde, independentemente
de trabalharem ou não nas atividades
de saúde.
O mais importante na definição
do profissional de saúde é sua
formação e sua capacitação adquiridas
com vistas a atuar no setor.
A terceira categoria é a do
pessoal de saúde, definida como
o conjunto de trabalhadores
que, tendo formação ou capacitação
específica - prática ou acadêmica,
trabalha exclusivamente nos
serviços ou atividades de saúde.
É a interseção das duas categorias
descritas anteriormente, sendo
formada pelos trabalhadores
de saúde com capacitação ou
formação para exercer funções
ou atividades de saúde.
A maioria dos dados disponíveis
sobre o total da força de trabalho
da área de saúde no Brasil provêm
dos censos demográficos nacionais
de registros administrativos
do Ministério do Trabalho, como
a Relação Anual de Informações
Sociais (RAIS) e o Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados
(CAGED), e dos Conselhos Federais
de Medicina, Enfermagem e Odontologia.
Virtualmente, qualquer categoria
profissional pode estar sob
risco. Além disso, visitantes
e outros profissionais que estejam
ocasionalmente nos serviços
de saúde também podem sofrer
exposições a material biológico.
O número de contatos com sangue,
incluindo exposições percutâneas
e mucocutâneas, varia conforme
as diferentes categorias profissionais,
as atividades realizadas pelo
profissional e os setores de
atuação dentro dos serviços
de saúde. Profissionais de saúde
da área cirúrgica, odontólogos,
paramédicos e profissionais
de setores de atendimento de
emergência são descritos como
profissionais de alto risco
de exposição a material biológico.
A probabilidade de ocorrer a
exposição é grande entre estudantes
ou estagiários e entre profissionais
em fase de treinamento já que
não há treinamentos adequados
nos cursos de formação técnica
ou profissional sobre as formas
de prevenção às exposições a
material biológico.
Conforme as estatísticas observadas,
a equipe de enfermagem é uma
das principais categorias profissionais
sujeitos a exposições a material
biológico. Esse número elevado
de exposições relaciona-se com
o fato de o grupo ser o maior
nos serviços de saúde, ter mais
contato direto na assistência
aos pacientes e também ao tipo
e à freqüência de procedimentos
realizados por seus profissionais.
A freqüência de exposições é
maior entre atendentes, auxiliares
e técnicos de enfermagem, quando
comparados a profissionais de
nível de instrução superior.
Os riscos de exposição entre
médicos variam conforme as diferentes
especialidades. Entre médicos
de enfermarias
clínicas,
o número estimado de exposições
pode variar de 0,5 a 3,0 exposições
percutâneas e 0,5 a 7,0 mucocutâneas
por profissional-ano. Entre
os médicos
cirurgiões,
são estimados 80 a 135 contatos
com sangue por ano, sendo 8
a 15 exposições percutâneas.
Considerando-se que um cirurgião
realiza entre 300 e 500 procedimentos
por ano, estima-se que este
profissional será vítima de
6 a 10 exposições percutâneas
por ano.
Os odontólogos
também são uma categoria profissional
com grande risco de exposição
a material biológico. Os estudos
mostram que a maioria dos dentistas
(quase 85%) tem pelo menos uma
exposição percutânea a cada
período de cinco anos.
A maioria dos casos de contaminação
pelo HIV em todo o mundo por
acidente de trabalho, mais de
70% dos casos comprovados e
43% dos prováveis, envolveram
a categoria de enfermagem e
de profissionais da área de
laboratório. Profissionais de
laboratórios clínicos são responsáveis
por grande parte dos procedimentos
que envolvem material perfurocortante
nos serviços de saúde. O número
de profissionais de laboratório
infectados pelo HIV, entretanto,
é desproporcional ao número
de indivíduos na força de trabalho.
Nos EUA, por exemplo, os flebotomistas
correspondem a menos do que
1/20 do número de profissionais
das equipes de enfermagem. Outras
categorias profissionais comuns
contaminadas pelo HIV foram
médicos clínicos, incluindo
estudantes de medicina, responsáveis
por 12% e 10% dos casos comprovados
e prováveis, respectivamente,
e médicos cirurgiões e dentistas,
responsáveis por 12% dos casos
prováveis de contaminação, mas
por menos de que 1% dos casos
comprovados.
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