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Infecção pelo HIV/AIDS
FOLHA DE BOA VISTA - RR - 26/ABRIL/05
Enfermeiras podem ter contraído Aids em acidente com agulhas infectadas
LUIZ VALÉRIO
Duas auxiliares de enfermagem, que trabalham no Hospital Ruben de
Sousa Bento, em Boa Vista, podem ter sido infectadas acidentalmente com o
vírus HIV ao manusearem material biológico usados em pacientes internados no
Bloco D do hospital. A carga excessiva de trabalho, aliada à pouca vivência
em ambiente hospitalar teria sido a causa do acidente. Geralmente o bloco
recebe até 38 pacientes em situação grave.
A denúncia foi feita à Folha, no final de semana, por uma das
profissionais que trabalham no bloco D e é amiga das duas moças acidentadas.
O acidente foi confirmado pela médica infectologista do hospital,
Valdemariza Vieira Gomes, que disse que esses casos são rotineiros em
hospitais e que faz parte do dia-a-dia de quem trabalha no setor de
enfermagem.
Segundo a pessoa que repassou o caso à Folha, as duas auxiliares de
enfermagem estão passando por problemas psicológico por acreditarem que
contraíram o vírus HIV, responsável pelos sintomas da Aids. "A situação no
hospital é bastante delicada, pois a demanda de trabalho é muito grande para
um pequeno número de profissionais", disse a denunciante, que pediu para ter
o seu nome resguardado.
Ao conversar com a Folha, a médica Valdemariza Vieira disse que o
acidente, com material perfuro-cortante, aconteceu na quarta-feira, 20. Ela
minimizou o fato alegando tratar-se de um tipo de acidente corriqueiro que
acontece no dia-a-dia de quem trabalha em hospitais. "Todos nós estamos
sujeitos a nos acidentar", afirmou.
Conforme a infectologista, as duas auxiliares de enfermagem foram
encaminhadas para fazer exames preventivos e estão sendo submetidas ao
tratamento chamado de quimioprofilaxia, à base de medicamento
anti-retrovirais. O tratamento tem quatro semanas de duração e visa
neutralizar o vírus HIV, caso ele tenha se instalado no organismo das
acidentadas.
Valdemariza Vieira disse ainda que o governo está arcando com o
acompanhamento psicológico para as duas servidoras públicas. O profissional
de psicologia do próprio hospital está fazendo o acompanhamento das duas
auxiliares de enfermagem.
A médica reconheceu que o acidente pode ter sido decorrente do
número reduzido de auxiliares de enfermagem que trabalham no hospital,
principalmente no Bloco D, onde estão internados em média 38 pacientes em
situação grave. São pessoas portadoras dos vírus da Aids e de hepatite.
Geralmente ficam entre seis e oito profissionais de enfermagem por turno de
trabalho no bloco.
Ela atribui o ocorrido também à pouca vivência das profissionais com
o ambiente hospitalar, pois as acidentadas foram contratadas recentemente,
oriundas que são do concurso público realizado pelo Governo do Estado em
outubro de 2003. "O concurso colocou pessoas com pouca vivência profissional
dentro do hospital", justificou.
Valdemariza Vieira disse ainda que o Hospital Ruben de Sousa Bento
já não comporta a demanda de pacientes, pois foi construído para atender a
uma população de 80 mil habitantes, na década de 1980. A unidade de saúde
começou a funcionar somente no ano de 1992.
A Folha também tentou ouvir a secretária de Saúde, Eugênia Glaucy, e
o diretor do hospital, Fabian Munhoz, mas não conseguiu manter contato.
Durante todo o dia de ontem os telefones celulares dos dois estiveram, o
tempo inteiro, fora de área ou desligados. (L.V)
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FOLHA DE BOA VISTA-RR - CIDADES 26/ABRIL/05
Secretária de Saúde afirma que risco de contaminação é de 0,9%
A secretária estadual de Saúde, Eugênia Glaucy, disse que, ontem, ainda não tinha sido informada oficialmente pela Unidade de Vigilância Epidemiológica nem pelo Controle de Homologação Hospitalar do Hospital Rubem de Sousa Bento acerca do caso de acidente com agulhas supostamente contaminadas com vírus HIV, envolvendo duas auxiliares de enfermagem. Ela afirmou que o risco de contaminação com o vírus da Aids, nesses casos, é de apenas 0,9%.
Conforme a denúncia feita à Folha, duas servidoras que trabalham com doentes em estado grave, no Bloco D do Hospital Rubem de Sousa Bento, acabaram se ferindo com agulhas que haviam sido usadas em pacientes portadores do vírus da Aids. De acordo a médica infectologista da unidade hospitalar, Valdemariza Vieira, as servidoras estão sendo submetidas a tratamento quimioterápico profilático à base de medicamento anti-retroviral.
A secretária disse, no entanto, que o risco de contaminação com o vírus da Aids mediante acidente percutâneo (através de picada com agulha ou corte com estilete hospitalar) é de aproximadamente 0,9%. "Toda vez que acontece um acidente assim, o funcionário tem que se dirigir à Unidade de Vigilância Epidemiológica e acertar com o controle de infecção hospitalar as normas estipuladas pelo Ministério da Saúde para esses casos".
Eugência Glaucy afirmou que durante o curso de formação de enfermeiros e auxiliares de enfermagem esses profissionais recebem orientações acerca dos cuidados e técnicas que devem adotar no exercício da profissão. Assinalou que é preciso seguir todas essas normas durante as suas atividades. "Esses cuidados previnem esse tipo de acidente". A secretária disse que, somente com a notificação oficial, a secretaria poderá tomar os cuidados no sentido de proteger o trabalhador.
A secretária disse que a deficiência de funcionários na Secretaria de Saúde, que pode ter sido uma das causas do acidente com as servidoras, foi herdada do concurso público que proporcionou muito pouco à capacitação e à prática dos técnicos e auxiliares de enfermagem.
"A maior parte desses profissionais foi colocada para prestar serviço nas unidades de saúde sem observar previamente a adequação ao tipo de serviço desenvolvido. Mas eu reforço que durante a formação elas normativamente devem ter passado por matérias que tratam da proteção individual", frisou.
A secretária afirmou que deve ser realizado um processo seletivo simplificado para a contratação de profissionais para suprir as carências da Secretaria de Saúde. Isso só deve ocorrer quando todos os servidores concursados estiverem devidamente adaptados e for realizado um levantamento as áreas de maior carência. "Roraima ainda é um Estado que sofre com a carência de muitos profissionais e o auxiliar de enfermagem não está fora desse contexto", frisou.
Equipe Riscobiologico.org
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Enviada por , em 26/04/2005
Infecção pelo HIV/AIDS - Reportagem RR
Olá!
O risco não seria de 0,3%, não???
João Paulo Santos Gouvêa
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Respondida por João Paulo Gouvêa, em 05/05/2005
Infecção pelo HIV/AIDS - Reportagem RR
João:
De acordo com a literatura, exposição percutânea 0,3%, e mucosa 0,09%.
Atenciosamente
Andréa Straatmann
CCIH HAP/HGESF
Salvador-BA