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Doenças emergentes, alertas sanitários
Estudo confirma uma forma diferente de transmissão da doença de Chagas
por Fernanda Marques
Quando se fala na transmissão do Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas, logo vem à cabeça o barbeiro. Este inseto, ao picar o indivíduo, libera suas fezes infestadas pelo parasita, que, quando a pessoa se coça, penetra no organismo através de erosões na pele ou mucosas. Esta é a via mais comum, mas a ocorrência de alguns surtos fez com que os cientistas começassem a levar em consideração a transmissão oral do T. cruzi. E um estudo do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM), unidade da Fiocruz na Bahia, sustenta as evidências de que o protozoário pode, sim, ser transmitido pela ingestão de alimentos scontaminados. Neste domingo (20/03), um episódio em Santa Catarina pode comprovar a pesquisa do CPQGM. A morte de três pessoas, vítimas da doença de Chagas, e a confirmação de outros 15 casos da enfermidade no estado levaram a Vigilância Sanitária a suspender a venda de caldo de cana nos estabelecimentos comerciais. A doença teria sido transmitida pela bebida.
Paulo Roberto Rebello
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Enviada por , em 24/03/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Prezado listeiro "entomológico" :em Doença de Chagas do IPEC-FIOCRUZ que o amigo já deve ter lido.
Não estou gabaritado nem tenho acumulação de conhecimentos para responder-lhe já o pesquisador da FIOCRUZ , sim e muito !!!
Só para acrescentar informo-lhes que em MACAPÁ laudo do Instituto Evandro Chagas do Pará confirmou que 29 pessoas se contaminaram com a doença de Chagas no Amapá depois de comer açaí. O chefe da Divisão de Epidemiologia do Amapá, Clóvis Miranda, diz que a situação é preocupante.
Cordiais saudações a todos e ao companheiro em especial !!
Paulo Roberto Rebello - médico
CECIH-CVE/SES-RJ
VISA-EAD/ENSP-
Respondida por Paulo Rebello, em 06/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Informamos que o Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas - IPEC/FIOCRUZ está funcionando como referência para casos suspeitos de risco de Doença de Chagas por ingestão de caldo de cana em Região do Estado de Santa Catarina.
Aproveitamos para divulgar Nota Técnica do Ministério da Saúde, 29/03/05 sobre o surto de Doenças de Chagas.
Mensagem encaminhada pelo colega Alejandro.
Nota Técnica - 29/3/2005
Doença de Chagas Aguda relacionada à ingestão de caldo de cana em Santa Catarina
1. A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde informa que até o dia 29.03.2005 foram investigados 159 casos suspeitos de Doença de Chagas Aguda relacionados à ingestão de caldo de cana em Santa Catarina. Dentre os casos suspeitos, 31 permanecem com resultados preliminares
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que indicam a infecção. Todos os casos detectados referem-se à ingestão de caldo de cana na região nordeste do Estado.
2. A investigação realizada com os casos suspeitos tem permitido delimitar a área onde a transmissão ocorreu. Dentre os fatores inicialmente relacionados como possivelmente implicados na transmissão, foi relacionado à ocorrência da doença, para 94% dos casos confirmados, o consumo de caldo de cana em um ponto de venda nas margens da BR-101, no município de Navegantes. Ainda está sendo investigada a possibilidade da transmissão ter ocorrido também em outros dois municípios: Joinville e Itapema.
3. O período de exposição (data do consumo do caldo de cana relacionado à ocorrência da doença) também foi delimitado para 08 a 26 de fevereiro de 2005.
4. Com estas informações, a recomendação inicial quanto à detecção de pessoas que tenham ingerido caldo de cana na área sob investigação, para avaliação clínica e laboratorial, deve ser restrita à possível exposição nos municípios referidos acima - especialmente Navegantes - e para o período de 08 a 26 de fevereiro.
5. Com base em recente avaliação dos casos confirmados, considera-se caso suspeito de Doença de Chagas Aguda todo indivíduo que tenha ingerido caldo de cana nos municípios de Navegantes, Itapema ou Joinville no período de 08 a 26 de fevereiro de 2005 e que tenha apresentado febre prolongada (cinco ou mais dias), cefaléia intensa, mialgias e dor abdominal, podendo apresentar comprometimento cardíaco, hepático, alterações hematológicas ou rash cutâneo. Importante ressaltar que alguns casos têm apresentado manifestações clínicas diferentes dos que têm sido habitualmente referidos para os casos da doença, como icterícia/aumento dos níveis de bilirrubina e manifestações hemorrágicas.
6. O número de casos da doença detectados neste surto, a gravidade das manifestações clínicas de alguns casos, bem como a alta taxa de detecção do agente etiológico (T. cruzi) em esfregaço (exame direto), dentre os casos confirmados, podem indicar a infecção com altas cargas do parasita.
7. Estão sendo ainda investigadas as possíveis causas da contaminação do caldo de cana, dentre elas, a contaminação com triatomíneos (barbeiros) no momento da preparação do caldo de da cana e contaminação por secreções de reservatórios (animais silvestres que encontram-se naturalmente infectados pelo T. cruzi).
8. A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) mantém o ALERTA às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, com o objetivo de detectar pessoas que tenham consumido o produto somente nos municípios de Navegantes, Itapema ou Joinville (SC) no período de 08 a 26 de fevereiro de 2005. A SVS orienta as Secretarias a encaminhar prioritariamente as pessoas que tenham apresentado exposição e apresentem sintomas de acordo com a definição de caso à unidade de saúde de referência, para realização de exames e, quando indicado, iniciar a terapêutica.
9. Caso seja detectado algum caso suspeito solicitamos informar à SVS: 0 XX 61 3153658.
Outras medidas adotadas
A partir da interdição da venda de caldo de cana no Estado, realizada pela Secretaria de Saúde do Estado em 20 de março, tem sido possível impedir a transmissão, o que significa que novos casos que eventualmente venham a ser detectados ingeriram o produto antes desta data. As atividades de busca e captura de possíveis vetores da doença (triatomíneos) vêm sendo realizadas nos municípios indicados, por técnicos da Secretaria de Saúde de Santa Catarina (SES-SC), com apoio de técnicos da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e da SVS. Considerando a história de exposição (consumo de caldo de cana) e que o Estado de Santa Catarina não apresenta transmissão vetorial pelo T. infestans, principal transmissor da doença, ou por outra espécie de triatomíneo, a investigação epidemiológica tem sido dirigida para identificação do local de contaminação da cana-de-açúcar utilizada na preparação do caldo.
Todos os casos confirmados vêm recebendo medicamento específico para Doença de Chagas (Benzonidazol) e, quando necessário, tratamento de suporte. Exames sorológicos e parasitológicos estão sendo realizados, obedecendo a um protocolo elaborado conjuntamente com SES-SC e SVS. A SVS adquiriu medicamento específico e insumos para laboratório que possibilitam atender às necessidades da SES-SC e das demais Secretarias de Saúde.
Situação da Doença de Chagas no país
Este evento apresenta algumas características semelhantes a outros episódios coletivos nos quais existiam como fator causal comum a ingestão de produtos contaminados, como ocorrido em vários surtos micro-epidêmicos (geralmente familiares) registrados na Amazônia Oriental Brasileira, em Teutônia (Rio Grande do Sul) e em Catolé do Rocha (Paraíba) 1,2,3. Estes dois últimos surtos também estiveram relacionados ao consumo de caldo de cana pelas pessoas que desenvolveram sintomas da doença.
Portanto, a ocorrência deste surto constitui um evento extremamente raro, que não guarda nenhuma relação com a atual situação do controle da Doença de Chagas no Brasil. O país vem alcançando a interrupção da transmissão vetorial da doença pelo T. infestans, compromisso assumido com os países do Cone Sul e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), já tendo sido certificados pela OPAS 11 Estados dentre 13 que apresentavam este vetor (Santa Catarina não está incluído entre estes). Dentre os dois Estados que ainda não foram certificados, Paraná já apresenta evidências de interrupção da transmissão, devendo ser certificado este ano, enquanto que a Bahia encontra-se em fase avançada de execução de medidas de controle, com recursos da Secretaria Estadual e da SVS, com perspectiva de alcançar a interrupção em 2006.
Por outro lado, os resultados preliminares do inquérito sorológico realizado em todo o país, em menores de cinco anos, também indicam que a transmissão vetorial encontra-se bastante reduzida. Também a transmissão transfusional, a partir da introdução do controle sorológico na rotina da rede hemoterápica, não representa mais uma importante via de transmissão.
A Secretaria de Vigilância em Saúde vem mantendo todos os esforços para elucidação deste evento, buscando assegurar junto às Secretarias Estaduais de Saúde, a detecção e tratamento de todas as pessoas que tenham sido infectadas, visando manter a continuidade do controle desta doença no país.
Bibliografia
1. BRASIL.MS.SVS. Manual de Doença de Chagas Aguda.
2. Dias JCP & Coura JR. Epidemiologia. . In Dias JCP & Coura (orgs.) Clínica e Terapêutica da doença de Chagas. Uma abordagem prática para o clínico geral. Rio de Janeiro, Editora FIOCRUZ, pp. 33-64, 1997
3. M.A. Shikanai-Yasuda, C. Brisola Marcondes, L.A. Guedes, G.S. Siqueira, A.A. Baroni, J.C.P.Dias, V. Amato Neto, J.E. Tolezano, B.A. Peres, E.R. Arruda Jr., M.H.Lopes, M. Shiroma & E. Chapadeiro. Possible oral transmission of acute Chagas´Disease in Brazil. Rev.Inst.Med.trop.São Paulo, 33(5):351-357, 1991.
Respondida por Alejandro, em 06/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Célia perguntou:
> Mais uma vez, nào me satisfaz essa reportagem. Será que há confirmaçào sorológica imediata?
Não, neste caso há parasitemia positiva, seja por pesquisa direta ou xenodiagnóstico.
Fernando Luiz de Andrade Maia
Maceió, Alagoas, Brasil
UIN (ICQ) 28600346
MSN flanautico@hotmail.com
Respondida por Fernando Maia, em 06/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Olá pessoal.... Oi Paulo !
Boa noite (ou melhor...bom dia) !
Tenho lido várias reportagens a respeito dessa matéria e, continuo não "satisfeita" com as supostas explicações que validam essa possibilidade...
Com certeza, referente a sujidade (eu não conhecia o termo...mas conheço a sujeira...) você tem razão, ser um veículo para a transmissão do parasita....também pode ser mas...causar a "doença de chagas"...
A forma infectante, contesto mais uma vez, é inativada se ingerida... Será que conseguiríamos alguma literatura a respeito ?
Acho que vou até a USP falar com o pessoal da parasitologia...quem sabe conseguem me fornecer alguma novidade....
Se alguem tiver alguma literatura...passe para o grupo...realmente é uma bela discussão para o nossp grupo
Bom domingo a todos
Celia Wada
PGRSS Autarquia Municipal SP
Respondida por Celia Wada, em 08/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Fernando
Mas se ele foi ingerido...como atingiria o musculo cardíaco?
Celia Wada
Respondida por Celia Wada, em 08/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Prezado Alejandro
Muito obrigada por sua explicação.
Fizemos muitos trabalhos em nossa época de faculdade a respeito da doença de chagas e nunca consideramos essa forma de transmissão
Gostaria de saber como seria a atividade do parasita. Como se daria a falência do miocardio? Não há, no caso, a presença do parasita na corrente circulatória daí então, como o musculo cardíaco seria afetado? De que forma as megas seriam induzidas?
Desculpe tantas perguntas mas, realmente, o assunto é bastante interessante e a forma com que foi abordado me pareceu muito "sensacionalista", principalmente pela forma de notificação ou seja, horas após a contaminação, já se teriam "provas " da positividade da sorologia???? Isso realmente é impossível. Não existe nenhuma possibilidade de que isso possa
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ocorrer.
Acredito que este nosso forum seja muito importante para que temas desse tipo sejam debatidos e solucionados.
Obrigada
Celia Wada
Respondida por Celia Wada, em 08/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Srs participantes,
a transmissão oral o T. cruzi vem de longa data sendo estudada em casos familiares em surtos de doença aguda acometendo algumas vezes mais de 9 membros simultaneamente. Assim, para os céticos sugiro consultar os trabalhos publicados pelo grupo de pesquisadores do Instituto Evandro Chagas que tem o Dr Aldo Vasconcelos como responsável. Lembrando que a miocardite aguda nestes casos é a principal causa de óbito.
Lourival
Respondida por Lourival, em 11/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Prezados amigos
Eu havia mandado esta mensagem há alguns dias, nào sei como circulou apenas agora Obrigada das informações, estou achando tudo bastante objetivo , com certeza , vou acompanhar tudo que mandarem...para mim...o caso ainda é "estranho"(desculpem...se é que podemos falar isso em ciência...)
abraçcos a todos
(Paulo...como está vendo tudo isso? gostaria da SUA posição)
Celia Wada
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Respondida por Celia Wada, em 11/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
Prezada Célia Wada,
Percebo que há interesse específico de sua parte de obter informações referentes à doença de Chagas aguda.
Sugiro acessar o site : www.ipec.fiocruz.br , lá você encontrará na barra de rolagem, um manual , completo e atualizado, sobre doença de Chagas Agudo, feito por alguns especialistas de reconhecido notório saber neste assunto.
Acredito que a leitura deste manual lhe será de grande valia.
Atenciosamente,
Alejandro Hasslocher
IPEC / Fiocruz, RJ
Respondida por Alejandro Hasslocher, em 13/04/2005
Alerta - Surto de Doença de Chagas
> Fernando
> Mas se ele foi ingerido...como atingiria o musculo cardíaco?
Ao penetrar em qualquer mucosa - oral, esofágica, gástrica etc - o parasito cai na corrente sanguínea e segue seu curso normal, como se tivesse entrado pela mucosa ocular ou por inoculação direta, como na transmissão transfusional.